Sem ajuda governamental empresas de ônibus de Petrópolis não garantem a operação para o início de abril

Desde o anúncio das medidas de combate ao avanço do novo Coronavírus, tomadas em todas as esferas, na última semana, o Setranspetro, representante das empresas de transporte coletivo urbano de Petrópolis, encaminhou ofício ao prefeito e ao presidente da CPTrans demonstrando preocupação com a continuidade dos serviços diante da abrupta queda na demanda de passageiros pagantes.

O documento, além da preocupação e do pedido de ajuda financeira, traz propostas para diminuição do custo imediato do sistema para garantir a continuidade do serviço essencial promovido pelo transporte coletivo.

Entre as propostas, o Setranspetro pede subsídio para o pagamento das passagens dos clientes que usam a gratuidade, isenção de recolhimento do Imposto Sobre Serviço (ISS), suspensão por 180 dias para integração tarifária temporal, prorrogação do prazo de 180 dias para pagamento de multas e taxas administrativas e aporte de verbas para colaborar com pagamento da folha de pagamento dos mais de dois mil rodoviários.

Apenas com óleo diesel e folha de pagamento o sistema de transporte coletivo de Petrópolis tem o custo aproximado de R$ 415 mil por dia útil. Com a operação praticada nos dias de domingo, este custo cai apenas 25%, que representa mais de R$ 311 mil por domingo. Isso ocorre porque não existe diminuição no custo fixo, como a folha de pagamento e despesas administrativas, mas só há redução mínima no custo variável, com óleo diesel, por exemplo. Sem que haja a arrecadação ou com a arrecadação reduzida a aproximadamente 25%, nenhuma empresa conseguiria ter capacidade financeira de manter o serviço funcionado.

O Setranspetro acredita que é possível o governo juntamente com a Câmara Municipal aprovarem medidas emergênciais de auxílio financeiro para ajudar a custear os salários dos rodoviários, a exemplo do que aconteceu na última quarta-feira (25/03) no município de São Paulo, quando as quatro comissões da Câmara do município aprovaram projeto de lei encaminhado pelo prefeito Bruno Covas, que permitiu remanejar recursos para ajudar a realizar o pagamento dos salários dos rodoviários que garantem um serviço tão essencial aos cidadãos.

Desde a última semana, o sindicato das empresas de ônibus de Petrópolis também estava em negociação com o Sindicato dos Rodoviários para garantir os direitos mínimos dos trabalhadores neste momento de crise e a continuidade dos serviços prestados à população.

Nesta sexta-feira (27), foi assinado entre as partes, um termo aditivo à Convenção Trabalhista em vigor, que garante os empregos dos rodoviários pelos próximos 90 dias. Será aplicado o esquema de revezamento de trabalho para que não haja também a redução de salários. Nos próximos 30 dias, os colaboradores terão 15 dias de férias e 15 dias de trabalho. Além disso, os profissionais a partir de 60 anos terão direito às férias pelos próximos 30 dias. O benefício da Cesta básica e do Vale alimentação permanece em vigor.

Já sobre a operação dos ônibus, em razão da queda de demanda de 75% no número de passageiros do sistema e também em virtude do acordo firmado com os rodoviários, as empresas vão operar com a programação de domingo podendo haver mais compartilhamentos entre as linhas, quando um mesmo ônibus atende mais de um bairro no dia ou reforço para horários de pico principalmente nas linhas troncais, que podem funcionar com horário de sábado.

Para saber mais informações sobre horários, o Setranspetro orienta aos passageiros a acessarem os aplicativos gratuitos e disponíveis para Android e IOS, que mostram onde os ônibus estão em tempo real, por meio do sinal de GPS, e os outros canais de informação.

 

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