O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, disse que o governo federal quer sustentar a logística do país e está trabalhando em ações para garantir o funcionamento das rodovias e do setor aéreo. Como ajuda adicional para o setor aéreo, o governo fará compra antecipada de passagens, disse o ministro durante videoconferência promovida pelo banco Credit Suisse.

Segundo ele, será criado um crédito que será descontado conforme forem usadas as passagens. A aquisição deve ser feita por um valor mais baixo do que o normal. “Obviamente, nessa negociação nós tentaríamos obter algum desconto compatível com o retorno [financeiro] de cada voo, porque não adianta livrar a empresa, agora, e matar ela amanhã”, disse.

Em coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira, 20 de abril de 2020, o prefeito da cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, Alexandre Kalil, anunciou medidas para evitar o colapso de empresas de ônibus da cidade, por conta da pandemia do novo coronavírus.

O prefeito informou que semanalmente a Prefeitura vem efetuando o pagamento de R$ 3,5 milhões, referentes ao adiantamento dos vale-transportes.

Há muito se discute o modelo de financiamento tarifário, em especial, o de gratuidades. Hoje, com o Covid-19, uma outra realidade de discussão aparece: os ônibus devem circular, mas se a demanda é restringida por uma medida emergencial, quem paga pela manutenção do serviço disponível?

Se diversas atividades demandam pessoas, e essas demandam o transporte público, será que os poucos usuários serão suficientes para arcar com todo o sistema funcionando pagando-se a tarifa?

O Instituto MDT – Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos, uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, acaba de divulgar um manifesto em defesa do transporte público na crise da COVID-19.

O MDT constata a grave realidade vivida hoje pelo transporte público no país, resultado de muitas iniciativas precipitadas que têm sido tomadas no sentido de interromper os serviços, “demonstrando total desarticulação entre os entes federativos“.

Como num filme-catástrofe a falta de seriedade em relação ao transporte público coletivo pode nos conduzir da pandemia ao pandemônio

RAFAEL TELES
Enquanto o governo decide que Igrejas são serviços essenciais, oferece socorro às empresas aéreas e discute se deve ou não deve seguir todas as demais nações do mundo em relação ao enfrentamento da Covid-19, os sistemas de transporte público brasileiros vão se desintegrando diante de um ensurdecedor silêncio.

Desde o anúncio das medidas de combate ao avanço do novo Coronavírus, tomadas em todas as esferas, na última semana, o Setranspetro, representante das empresas de transporte coletivo urbano de Petrópolis, encaminhou ofício ao prefeito e ao presidente da CPTrans demonstrando preocupação com a continuidade dos serviços diante da abrupta queda na demanda de passageiros pagantes.

 

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